quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

19º - De quando eu falo de ilusão

O rádio antigo, tocando na estação pouco nítida, músicas que eu pouco conheço. Faz tanto tempo que já estou neste lugar que nem lembro como vim para aqui. O vento gelado e o frio que faz aqui, meu Deus. Estou paralizado, somente o olhar que vai e vem entre cortinas e a lareira que pouco aquece nesse ambiente, ouço vozes. Engraçado o barulho que da pra ouvir de pessoas falando mesmo com o rádio ligado, desta vez eu reconheço a música.


Cara como o tempo passou. Consigo me lembrar vagamente. A porta abre, você! Lembrei. Trazendo mais um de nós. Mais uma marionete, que não se move, não sente, não fala. Só mexe os olhos enquanto o pensamento lhe ocorre. Tu não tens empátia, a egolatria que te abastece. Chegara o dia, penso, que tu olharás para tua coleção de tolos e não sobrará nenhum inteiro. Todo aquele colecionado cairá da sua prateleira de cristal, se quebrará, então tu terás somente olhos em sua direção, olhos sem expressões, somente a visão de uma pessoa que deixou o tempo passar em vão. Afinal, depois de tanto tempo, somos apenas marionetes colecionáveis, marionetes sem coração. E o rádio, parou de tocar.

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