O rádio antigo, tocando na
estação pouco nítida, músicas que eu pouco conheço. Faz tanto tempo que já
estou neste lugar que nem lembro como vim para aqui. O vento gelado e o frio
que faz aqui, meu Deus. Estou paralizado, somente o olhar que vai e vem entre
cortinas e a lareira que pouco aquece nesse ambiente, ouço vozes. Engraçado o
barulho que da pra ouvir de pessoas falando mesmo com o rádio ligado, desta vez
eu reconheço a música.
Cara como o tempo passou. Consigo
me lembrar vagamente. A porta abre, você! Lembrei. Trazendo mais um de nós.
Mais uma marionete, que não se move, não sente, não fala. Só mexe os olhos
enquanto o pensamento lhe ocorre. Tu não tens empátia, a egolatria que te
abastece. Chegara o dia, penso, que tu olharás para tua coleção de tolos e não
sobrará nenhum inteiro. Todo aquele colecionado cairá da sua prateleira de cristal,
se quebrará, então tu terás somente olhos em sua direção, olhos sem expressões,
somente a visão de uma pessoa que deixou o tempo passar em vão. Afinal, depois
de tanto tempo, somos apenas marionetes colecionáveis, marionetes sem coração.
E o rádio, parou de tocar.
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